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Galeria de Arte Soraia Cals inaugura exposição do artista Alexander Calder
"Modalidade Tecida"
A Galeria de Arte Soraia Cals inaugura, no dia 18 de Abril, terça-feira, a partir das 18 h, a exposição “Modalidade
tecida”, com obras do artista americano Alexander Calder. Serão, ao todo, cinco redes e quatro
tapeçarias, todas com certifi cado de autenticidade da nicaragüense Kitty Meyer. A mostra será exibida
até o dia 29 de maio.
Apresentada previamente, em 1976, na Galeria Bonino, com exclusividade na América do Sul, a exposição
traz as redes e tapetes idealizados por Calder na França e tingidos com cânhamo na América Central.
Sob a supervisão do artista, cerca de 100 mestres tecelões, de várias aldeias espalhadas pela Nicarágua e
Guatemala, trabalharam em edições limitadas de 100 exemplares das redes e tapetes. Mas como Calder,
um americano, teve a chance de misturar sua obra ao trabalho desses tecelões?
“Isso tudo começou quando Calder doou uma litografi a à Nicarágua para ajudar as vítimas do
terremoto de 1972”, explica Soraia Cals, proprietária da Galeria de Arte. “Kitty Meyer, então, em agradecimento
a Calder, lhe enviou uma rede feita em Masaya e se mobilizou a propor essa interação entre Calder
e os tecelões. Nenhuma dessas redes poderia ter essa aparência caso não tivesse passado pelas mãos
desses homens”.
O crítico de arte Frederico Morais considera o movimento o cerne principal da obra de Calder
– observemos, por exemplo, o balanço das redes, que infl uencia explicitamente o desenho que estas carregam.
Segundo Morais, estes trabalhos são revolucionários porque mudam o curso de uma tradição pictórica,
isto é, se movem entre “pesquisa pura e a decoração”. Sendo todos muito variados entre formas,
suportes e materiais, seriam mesmo revolucionários.
De acordo com Frederico Morais, é no móbile, suporte que Calder inventou, que sua principal
característica o movimento, fi ca evidente. “Se os móbiles parecem desfi lar diante do espectador, é este
quem gira em torno de seus estábiles”, afi rmou.
Alexander Calder, natural da cidade da Filadélfi a, nos EUA, foi amigo, durante sua estada em Paris,
de artistas como Marcel Duchamp, Joan Miró e Piet Mondrian, sendo este último o principal responsável
pelo caráter abstrato de sua obra. Alguns de seus trabalhos mais importantes são as monumentais esculturas
Cheval rouge, exposta no jardim de esculturas do Museu Hirshhorn, em Washington e Flamingo, na
Federal Plaza, em Chicago.
Calder morreu em 1976 aos 78 anos enquanto trabalhava no terceiro avião da Braniff – empresa
aérea que o contratou para pintar a lataria de suas aeronaves, transformando-as, em “telas móveis”, cujo
mote seria um “tributo.
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