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Press Releases

José Pedrosa - Vitória Modernista

Exposição “José Pedrosa, Vitória modernista”
Inauguração: 27 de julho de 2006, quinta-feira, 18 h
Exposição: de 18 de julho a 3 de setembro de 2006
segunda a sábado das 12 às 20 horas
Rua Marquês de São Vicente 22 sala 201
(21) 2540-0688

A Galeria de Arte Soraia Cals inaugura, no dia 27 de julho, quinta-feira, a partir das 18 h,
a exposição “Vitória modernista”, com 29 obras executadas em 1998 sob a supervisão
de José Pedrosa.
Os trabalhos ficam em exposição até o dia 3 de setembro de 2006.
A história da arte brasileira tem sido injusta, para não dizer perversa, em relação à obra de certos artistas
que, por não terem aderido a certos modismos de época ou por não aceitarem pressões mercadológicas, foram
abandonados pela crítica ou esquecidos pelo circuito de galerias, museus e instituições culturais.
É o caso de José Pedrosa. Um artista admirável, que produziu, a partir dos anos 40, algumas das mais belas
esculturas da arte brasileira, ao lado de desenhos e também de pinturas notáveis, estas últimas quase que totalmente
desconhecidas da crítica e, como conseqüência, do grande público.
Nascido em Rio Acima (MG), em 1915, e morrendo no Belo Horizonte (MG) em 2002.
José Pedrosa freqüentou, a partir de 1936, a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde teve como
professor o escultor José Otávio Correia Lima.
Apesar de ter entrado para a ENBA dois anos antes, Pedrosa participou afetiva e intelectualmente da geração
que ali se formou entre 1938 e 1944, integrada por um grupo notável de arquitetos e escultores como, entre outros,
Oscar Niemeyer, Maurício Roberto, Francisco Bologna, Eduardo Corona, Alfredo Ceschiatti e Weissmann; de pintores,
gravadores e desenhistas como José Moraes, Poty, Sansão Castelo Branco e Ahmés de Paula Machado. Foram ainda
solidários com essa geração, nos seus eventos, atitudes de polêmicas, artistas como Iberê Camargo, que, em 1946 após
deixar a ENBA, foi um dos fundadores do Grupo Guignard e Athos Bulcão.
Foi essa mesma geração que, ao se rebelar contra a orientação acadêmica e, sobretudo, autoritária do diretor
Augusto Bracet, promoveu, em 1942, uma das mostras mais polêmicas dos anos 40 no Rio de Janeiro, realizada na
Associação Brasileira de Imprensa, e que se repetiria no ano seguinte, no mesmo local, com igual sucesso. O
movimento dos dissidentes da ENBA recebeu total apoio do mundo intelectual e artístico carioca. Ao ato inaugural
compareceram e discursaram entre outros, Afonso Arinos, Manuel Bandeira, Santa Rosa, Guignard, Aníbal Machado,
Marques Rebelo, José Lins do Rego e Murilo Mendes. Este último identificou no evento o começo de um ataque à
bastilha das belas-artes, onde se refugiara o convencionalismo, acrescentando que os expositores não eram inimigos da
tradição autêntica e do antigo, mas do velho, do acadêmico e da rotina. A mostra dos dissidentes e a que realizou o
grupo Guignard, em 1943, estão na origem de quase tudo de importante que ocorreria na década de 1940,
especialmente no campo do ensino e da criação de novos espaços para amostragem da arte moderna. Pedrosa, que
participou da segunda mostra (1943), recebeu fartos elogios de Manuel Bandeira; uma conseqüência menor, mas não
menos importante, da mostra dos dissidentes, foi o convite que vários deles receberam de Niemeyer para visitarem as
obras do conjunto da Pampulha. Ali, nos jardins de Burle Marx, implantou Pedrosa uma de suas mais belas esculturas,
dotada de uma notável sensualidade barroca.
É preciso mencionar, ainda, outros dados curriculares importantes na carreira de Pedrosa:
1. Em 1942, freqüentou o curso de August Zamoiski, então residente no Rio, e com o qual aprofundou seus
conhecimentos das diferentes técnicas escultóricas, do desbaste da pedra à fundição do bronze e à modelagem do
barro e do gesso, técnicas que eram complementadas com aulas de modelo vivo e noções de história da arte. Contudo,
mesmo tendo se tornado auxiliar de Zamoiski, manteve com o artista polonês uma relação conflituosa, pois, apesar de
extremamente competente como professor, era pessoa irascível e de trato difícil.
2. Entre 1943 e 1945 dividiu ateliê com Ceschiatti e Bruno Giorgi, no porão da Biblioteca Nacional
(aí Giorgi fez o Monumento à juventude, hoje instalado nos jardins do edifício do Ministério da Educação e Cultura).
3. Foi contemplado com o Prêmio de Viagem ao País no famoso Salão Preto e Branco (1954).
Essa exposição, como se sabe, foi uma forte reação dos artistas, então liderados por Iberê Camargo, Milton Dacosta e
Djanira, à decisão de o governo brasileiro taxar com ágios iguais aos aplicados aos carros de luxo, perfumes e bebidas
finas os materiais e acessórios essenciais ao trabalho artístico. Foi um movimento exemplar e vitorioso à sua época.
José Pedrosa, como bolsista do governo francês, ampliou seus estudos de escultura em Paris, entre 1946 e
1948, recebendo, então, influência de Maillol e Despiau, das quais se libertaria para se aproximar de certas
matrizes cubistas; e recebeu o Prêmio de Viagem à Europa, na III Bienal de São Paulo (1955.)
Contudo, a despeito de seu currículo e de obra tão expressiva, José Pedrosa tem vivido nas últimas três ou
quatro décadas em quase total ostracismo, em parte por culpa do circuito brasileiro de arte, em parte devido à sua
personalidade esquiva e arredia. Com efeito, num texto de 1952, Sylvio de Vasconcellos, analisa a personalidade dos
artistas mineiros: timidez, excessiva auto-crítica e pavor do ridículo, que, associadas a uma aguda percepção, levam a
um injustificado auto-desapreço e auto-desconfiança. Mas, positivas ou negativas, estas características acabam por
moldar a criatividade do artista mineiro, regra geral marcada pelo equilíbrio, contenção e serenidade. Distanciando-se
desde muito cedo do academicismo, José Pedrosa não se deixou empolgar, entretanto, pelo radicalismo vanguardista.
Na verdade, ele se formou e cresceu como artista numa época mais calma e menos veloz no tocante aos ismos, uma
época mais voltada para a consolidação das conquistas do modernismo do que propriamente sua revogação, uma
época, enfim, que ainda valorizava as qualidades artesanais, e na qual prevalecia uma certa mentalidade proletária.
Assim, nele, a vontade de renovação não descarta a tradição. Em sua obra convivem tanto a matriz barroca, fortíssima
em Minas, como o cubismo, que ele soube, como poucos, no Brasil, renovar e revitalizar. E se por alguns momentos foi
tentando a ensaiar vôos abstratos, manteve-se quase sempre na figuração. Uma figuração ao mesmo tempo viril e
sensual, e principalmente saudável e otimista. Sua escultura revela uma perspectiva humanista, na qual a beleza do
corpo, especialmente da figura feminina, é o seu verdadeiro escopo como artista. Beleza que é também uma visão de
mundo, uma postura ética e, no limite, política. O que Joaquim Cardozo escreveu sobre a escultura de Ceschiatti vale
também para a escultura de José Pedrosa. É forte e salubre, escreveu. Nela não há recantos sombrios ou impenetráveis,
nos seus volumes e relevos não se detêm os insanos mistérios do erotismo ou da alucinação. Ou seja, ambos estariam
distantes do expressionismo e bem próximos de um certo classicismo mediterrâneo. Na escultura de José
Pedrosa não encontramos nem angústias nem morbidez, mas uma beleza serena a tranqüila,
que nos envolve agradavelmente.
Frederico Morais, Rio , outubro, 1998

Obras Importantes
A Cabeça de Juscelino Kubitschek Justiça
Obra do escultor José Alves Pedrosa, em pedra sabão, mede 1,30m de altura e pesa 1,5 toneladas.
A escultura data de 1960 e se encontra na fachada leste do Museu Histórico de Brasília.
Museu de arte da Pampulha – MAP
Primeiro projeto de Niemeyer para a Pampulha. Funcionou como cassino até a proibição do jogo em 1946. a fachada
teve influência de Lê Courbusier e o interior recebeu uma interpretação de espelhos, curvas e rampas.os jardins de
Burle Marx exibem esculturas de José Pedrosa e Ceschiatti.
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