|
Calendário de eventos
|
Press Releases
Coleção Jorge Amado
Leilão de novembro de 2008
Exposição
12 a 17 de novembro, das 12 as 21 horas
Atlântica Business Center
Av. Atlântica, 1.130, 4º andar
Copacabana, Rio de Janeiro
Leilão
18, 19, 20 e 21 de novembro, as 21 horas
Atlântica Business Center
Av. Atlântica, 1.130, 4º andar
Copacabana, Rio de Janeiro
Baiano de Itabuna, primogênito de João Amado e d. Lalu, representante maior do modernismo regionalista brasileiro e autor de livros como “Gabriela, Cravo e Canela”, “D. Flor e seus Dois Maridos”, “Jubiabá” e “Capitães da Areia”, traduzido para mais de 40 idiomas e lançado em 52 paises, Jorge Amado nos deixou um legado acumulado ao longo de 88 anos de vida, que será agora vendida em leilão. O conjunto irá à pregão nos próximos dias 18, 19, 20 e 21 de novembro, em evento organizado por Soraia Cals e Evandro Carneiro.
A coleção, que possui 578 peças, oferece ao público uma oportunidade única de testemunhar a relação de íntima amizade que o escritor mantinha com os artistas. A maioria das obras foi oferecida a Jorge como presente. É o caso, por exemplo, do “Anjo Tocando Violino”, de Djanira da Mota e Silva, retirado de exposição na Galeria Bonino pela própria artista e o marido, Motinha. Ao visitar a mostra, Jorge apaixonou-se pelo quadro, mas não quis levá-lo para casa, por medo de desfalcar o evento. Desta forma, no dia seguinte, Dejana (apelido carinhoso dado pelos Amado à artista) e Motinha tocaram a campainha do apartamento da família e deixaram o quadro na porta.
Por outro lado, uma tela que faz parte da minoria da coleção, que foi comprada por Jorge, é o “São Francisco”, de Volpi. Conta Paloma Amado, filha do escritor, em texto exclusivo para o catálogo do leilão, que, ao se casar, escolheu justamente esse quadro como presente de casamento. A idéia era trocá-lo por um retrato dela, feito por Floriano Teixeira. Jorge, então, respondeu, com tristeza: “Pode ficar com o seu retrato, meu São Francisco não vai com você”. Como prêmio de consolação, Paloma ficou com o “Anjo Tocando Violino”, de Djanira. Com a morte de Jorge, em 2001, a mãe de Paloma e alma-gêmea do escritor, Zélia Gattai, mandou o São Francisco “passar umas férias” na casa da filha.
Além de Djanira, outro artista muito próximo à Jorge era o argentino por nascimento, mas baiano de coração, Hector Julio Paride de Bernabó, o Carybé. Serão vendidas 42 obras de sua autoria, desde litografias até óleos, além de uma escultura em cerâmica e uma escultura em madeira, “Bandeirante”, para forma de uma das placas de cimento que compõem seu belo painel na agência da Av. Chile do Banco Bradesco da capital baiana. Carybé decidiu conhecer a Bahia depois de ler “Jubiabá”, romance de Jorge Amado de 1935. A amizade fraternal entre os dois deixou frutos como os azulejos de Oxum e Oxossi pintados na casa do Rio Vermelho e frases de enorme carinho nos quadros dedicados ao casal Amado.
Seria impossível falar em detalhes de todos os artistas que conviveram de forma mais próxima à Jorge e que estarão no leilão com suas obras. São muitos. No entanto, merecem menção o gaúcho Carlos Scliar, o cearense Aldemir Martins, o maranhense Floriano Teixeira (ilustrador habilidoso, o primeiro a dar cara a D. Flor, uma das personagens mais famosas de Jorge), o sergipano Jenner Augusto, o paulista José Pancetti, o carioca Di Cavalcanti (que trocou “Gabriela”, um dos quadros do leilão, por um filhote da cria de Capitu, cadela de Jorge Amado, da raça pug) e os baianos Emanoel Araújo, Calasans Neto (o “Calá”, “Calazinho”, rei de Itapuã), Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Mário Cravo Júnior e Mirabeau Teixeira.
A lista de artistas de naturalidade baiana, porém, é menor do que aquela formada por artistas não nascidos na Bahia mas que foram “baianizados” por Jorge Amado. Isso porque, ao inspirar artistas a ilustrarem seus livros, o escritor acabou incutindo características baianas em pintores, escultores e gravadores, que passaram a ser considerados filhos da Bahia mesmo sem de fato terem nascido lá (caso dos já mencionados Carybé, Floriano Teixeira e Jenner Augusto). Muitas dessas ilustrações originais para os livros também serão vendidas no leilão.
Outros destaques ficam por conta de obras como “Retrato de Jorge Amado”, de Flávio de Carvalho, “Ville”, de Antônio Bandeira, “Retrato de Oswald de Andrade”, de Anita Malfatti (década de 1920), “Candomblé”, de Djanira, painel em óleo s/ madeira medindo 250 x 244 cm, “Noturno”, de Di Cavalcanti, uma bela paisagem de Bonadei (década de 1940) e uma série antológica do melhor da raramente manifestada vertente política de José Pancetti. Há também uma coleção de arte popular em barro, que traz artistas como Mestre Vitalino e outros da escola de Caruaru e de Tracunhaém (Pernambuco), Mestre Tamba, Mestre Didi e alguns exemplares oriundos de alguns países da América Latina e da África. Por fim, alguns móveis e conjuntos em cristal, comprados por Zélia e Jorge no período em que viveram exilados na Tchecoslováquia, também estarão disponíveis para compra.
Parte da renda do leilão será revertida em prol da casa do Rio Vermelho, local de residência de Jorge, que deverá se tornar um memorial, idéia dos filhos do escritor, Paloma e João Jorge Amado. Eles ainda pretendem colaborar com o Projeto Axé, que ajuda crianças carentes na capital baiana.
O catálogo-livro do leilão, que tem 496 páginas e cerca de 600 obras reproduzidas, traz texto e biografia de Jorge Amado assinados pela filha do escritor, Paloma Jorge Amado, e mais de 200 fotografias de Zélia Gattai, além de “Notas Sobre a Arte Baiana à Época de Jorge Amado”, do crítico e historiador de arte Frederico Morais. São comentários que abordam alguns dos principais artistas baianos do século XX, muitos dos quais presentes nesta coleção. Os catálogos serão vendidos por R$ 125,00, e o produto da venda destinado à Fundação Casa de Jorge Amado.
Maiores informações pelos emails jorgeamado@soraiacals.com.br ou jorgeamado@evandrocarneiroleiloes.com ou pelo telefone (21) 2540-0688 (falar com Marcella Cals, de 14h as 18h).
|
|